A fazenda Monte Alegre do Brasil Colonial
As primeiras referências históricas contam que Antonio Lopes Tomar, de 36 anos de idade, morador dos campos de Curitiba, descobriu campos de pastagens às margens do Rio Alegre, ao redor de 1722. Solicitou então, ao governador da província de São Paulo, a posse daqueles campos, que à época pertenciam àquela província colonial.
Um ano e meio mais tarde, em 1724, João Pereira Braga solicitou também a posse daqueles mesmos campos. No termo de conclusão dos pedidos foi dada por justificativa a petição do suplicante, publicada em 20 de maio de 1924, na cidade de São Paulo, pelo juiz ordinário Pedro Taques Pires.
A carta de sesmaria, entretanto, saiu em nome de Manuel Gonçalves Aguiar, sargento-mor, morador na vila de Santos. Aguiar possuía terras e campos, que ele tinha cultivado com lavouras e criações de gado. Disse ainda que pagava dízimos a Deus, em paragem chamada de Alegre, nas furnas perto do rio Tibagi.
Disse ainda que, dali partiam linhas dos campos de João Pereira Braga e Antônio Tomar. Gonçalves Aguiar adquiriu a sesmaria em 6 de outubro de 1727. Antônio Tomar e Luís Rodrigues Vilares obtiveram sesmaria naquelas terras entre os rios Alegre, Tibagi e Iapó somente em 23 de março de 1725.
Nos anos sessenta daquele século (XVIII) escravos e camaradas de frei Bento Rodrigues de Santo Ângelo situaram-se nos fundos dos campos do Alegre para faiscar e foram duas vezes atacados pelos índios.
Em função dos ataques, abandonaram o local.
Em 14 de janeiro de 1786, na Câmara de Vereadores de Curitiba, Inácio da Mota Ribeiro fez petição junto com três irmãos para que se concedesse a eles sesmaria de campos e três léguas na paragem chamada Alegre. Foi lhes informado que tal paragem já havia sido descoberta há muitos anos.
Foi também informado que aquelas terras pertenciam ao capitão-mor Lourenço Ribeiro de Andrade, ao guarda-mor Manoel Gonçalves Guimarães e ao tabelião Antônio Ribeiro de Andrade por herança de Manuel Gonçalves Aguiar.
Outro morador da vila de Santos, tendo viajado pelos campos gerais, José Felix da Silva Passos, dois anos mais tarde, solicitou ao governador de São Paulo, posse de extensa área de terras na região do Rio Tibagi, as Fazendas Boa Vista, Piraí Mirim, Taquara, Fortaleza e Monte Alegre.
A sesmaria foi dada a José Félix da Silva Passos, em 20 de maio de 1788. Na carta da sesmaria constava, a paragem chamada de Campo dos Bugres. Na mesma oportunidade, José Felix comprou, em 20 de setembro de 1799, dos herdeiros de Antônio Tomar, as terras da Conceição e da Faisqueira, formando com eles a Fazenda Fortaleza.
À margem direita do Rio Alegre, José Félix fez posse de outra fazenda conhecida pelo nome de Alegre e que depois, ele passou a chamar de Monte Alegre. As terras do Alegre estavam ocupadas de índios. José Félix tentou afastá-los sem muito sucesso.
José Félix da Silva Passos continuou senhor do restante daquelas terras que iam do rio Alegre até o rio Iapó, afluentes do rio Tibagi. José Felix passava a maior parte do tempo na Fazenda Monte Alegre (conhecida até hoje como Fazenda Velha, dentro da Fazenda Monte Alegre, de propriedade das Indústrias Klabin.) e na Fazenda Fortaleza (17 km da sede do município de Tibagi).
José Félix morreu repentinamente em 27 de abril de 1822. Sua esposa Onistarca Maria do Rosário acabou falecendo como o marido, na Fazenda Fortaleza, em 8 de julho de 1828.
As fazendas e todas aquelas terras ficou para a filha do casal Ana Luísa Silva Passos.
Ana Luíza fez declaração em cartório descrevendo suas terras e dando o nome a ela de Fazenda Monte Alegre. Era 29 de abril de 1856. No mesmo cadastro Caetano Batista de Jesus cadastrou sua fazenda dizendo que ela fazia divisa com terras da Fazenda Monte Alegre e com a propriedade de Manuel Batista Ribeiro e e as terras de Brás Pedroso de Almeida. (Joaquim Batista Ribeiro, presidente do sindicato do papel de Monte Alegre e vereador em primeira legislatura de Telêmaco Borba, e nome de rua no município era descendente de Manuel).
Ana Luísa da Silva Passos faleceu em 9 de maio de 1856.
A Fazenda Monte Alegre passou para as mãos de seu filho Manuel Inácio do Canto e Silva. Manuel Canto havia se casado em 3 de janeiro de 1832 com Cândida Joaquina Novaes e Silva, filha de Manuel José Novaes Guimarães e Agda Joaquina Araújo. O casal teve os filhos, coronel Jordão do Canto e Silva, Ana Luísa, coronel José Félix Novaes Canto, Águeda, e Onistarca do Canto e Silva (nascitura).
Em 2 de abril de 1872, foi lavrada escritura pública de partilha amigável onde o coronel Manuel Inácio do Canto e Silva doou os seguintes bens: ao coronel Bonifácio José Batista (futuro Barão de Monte Carmelo), por cabeça de sua mulher Ana Luísa da Silva Batista entregou a Fazenda Agudos, ao tenente coronel Jordão do Canto e Silva, a Fazenda Morungava, a José Félix do Canto e Silva a Fazenda Taquara e o Sítio Curralinho, ao dr. Laurindo Abelardo Brito, por cabeça de sua mulher Águeda Joaquina do Canto e Silva a Fazenda Monte Alegre.
Em 6 de setembro de 1873, Laurindo e Águeda (bisneta de José Félix da Silva Passos) venderam a Fazenda Monte Alegre para o coronel Bonifácio José Batista - Barão de Monte Carmelo. O barão e a baronesa registraram, em 30 de agosto de 1895, a Fazenda Monte Alegre, compreendendo Agudos e outras dependências.
O barão morreu em São Paulo em 21 de abril de 1897. Sua esposa Ana Luísa morreu, em 3 de outubro de 1903. O casal deixou dois filhos, Manuel Bonifácio da Silva Batista (faleceu em 6 de junho de 1904), casado com Júlia Prates. Deixaram os filhos, Ana, Evangelina, Heitor, Bonifácio, Celina, Leonídia, Carmelina, Mário e Elvira.
Em 1926, o francês Fontaine Laveleye fechou negócio com os seis herdeiros da baronesa de Monte Carmelo (bisneta de José Félix) formando uma sociedade anônima que recebeu o nome de Companhia Agrícola Florestal e Estrada de Ferro Monte Alegre. As terras somavam 60 mil alqueires e somavam as fazendas Monte Alegre, Agudos, Prata e Antas.
A sociedade foi um fracasso e, em 1931, foi requerida falência, mas que foi anulada logo em seguida.
Em 1932, Banco do Estado do Paraná requereu uma segunda falência, que foi deferida.
Em 1933, a massa falida foi a leilão e foi arrematada por 4 mil contos de réis pelo Banco do Estado do Paraná.
Em 29 de outubro de 1934, empresa Indústria Klabin do Paraná de Papel e Celulose, adquiriu por 7.500 contos de réis a Fazenda Monte Alegre.
A escritura definitiva foi lavrada em 20 de janeiro de 1941.
A Fazenda Monte Alegre de Tibagi, tinha sido palco de algumas tragédias, como a do próprio José Felix, que se casando, em 1781, com a jovem Onistarda, teve os dedos da mão esquerda decepados e cortados três dedos da mão direita.
José Félix ficou para sempre coxo de uma perna.
Ele tinha sido vítima de um atentado engendrado pela esposa, que o odiava terrivelmente. A mulher foi sentenciada como criminosa, em processo criminal que aconteceu na cidade de Castro. Em 1808, contudo, foi lavrada uma escritura de “perdão”, a pedido do marido.
Amargo e infeliz, o fazendeiro era, contudo, um homem ativo. Em Castro, atuou como juiz ordinário, juiz de conselho, ajudante de milícias e capitão de ordenanças em Piraí e Furnas.
Por volta de 1796, um amigo de José Félix, foi visitá-lo na Fazenda Fortaleza, 17 km do povoado de Tibagi. Brígido Álvares recusou escolta do amigo fazendeiro para voltar a Castro. No dia seguinte, com uma flecha em cada olho, sua cabeça foi espetada num dos portões da Fazenda de José Félix.
Em represália, o fazendeiro ordenou a seu capataz, Antonio Machado Ribeiro que fosse a busca dos índios caingangue, que sempre habitaram aquelas terras imemoriais.
Uma carta do século 18, cita o ocorrido como a “Chacina do Tibagi”.
A matança generalizada dos índios ocorreu nas margens do mesmo Rio Tibagi, uns 50 km mais ao Norte. Aquela colina ficaria conhecida nos séculos seguintes como "Mortandade”, até que por sugestão da Sra. Luba Klabin o nome do local fosse mudado, em 1941.
Ali, no local da chacina, iriam ser construídos o hospital e um hotel, muito próximos de onde hoje se encontra a maior fabricante de papel da América Latina e uma das 7 maiores do mundo: a Klabin do Paraná.
 |
Construção da ponte sobre o rio Tibagi ligando Harmonia a Cidade Nova |
A empresa dos herdeiros de José Félix tinha construído 42 km de estrada de ferro até o rocio da pequena vila de Tibagi, uma ligação telefônica entre a Fazenda e Tibagi, um casarão de madeira e alguns galpões rústicos.
Das novas gerações da família, Samuel Klabin foi o primeiro a visitar aqueles sertões. Samuel depois de frequentar o Colégio Mackenzie e a Escola de Altenburg aperfeiçoou seus estudos na Finlândia e Alemanha. Regressou ao Brasil aos 22 anos para trabalhar com fabricação de papel e foi logo incumbido por seu pai Solomon de conhecer as terras do Paraná. Num Ford 1929, acompanhado por Reinaldo Bronnert viajou até Curitiba e dali até Tibagi, passando por Ponta Grossa e Castro.
Encontrou na pequena vila as tradicionais famílias dos Bittencourt, Mercer, Borba, Carneiro, Guimarães que viviam do garimpo do diamante nas corredeiras do rio turbulento e sinuoso dos Campos Gerais há décadas.
Como a fazenda ainda ficasse a 50 km foram aconselhados a pernoitar na antiga cidade. Morava ainda na cidade, o geólogo da empresa falida, Reinhardt Maack, que mostrou naquela mesma noite, filmes sobre Monte Alegre.
Garimpavam no rio, naquela época, cerca de 5 mil homens, a maioria contratados das tradicionais famílias locais e muitos aventureiros. Samuel tomou nota de tudo o que viu. Voltou a São Paulo e contou tudo para a família.
Choupanas de troncos dos primeiros engenheiros florestais
Klabin ministro
Wolf Klabin junto com o primo Horácio Lafer (ministro das relações exteriores de Juscelino Kubitschek) assinou, no tabelionato de Américo Alves Guimarães, em Curitiba, a escritura de promessa de compra e venda da Fazenda Monte Alegre, adquirida do Banco do Estado do Paraná, em 29 de outubro de 1934.
Eram 143.516 hectares de terras.
Dias antes, num outro cartório, este em São Paulo, era registrada a fundação das “Indústrias Klabin do Paraná”. Constituída por nove sócios, Salomon Klabin, Hessel Klabin, Jacob Klabin Lafer, Wolf K. Klabin, Eva Cecília Klabin Rapaport, Ema Gordon Klabin, Mina Klabin e Abraão Jacob Lafer, a empresa foi registrada no 11º. Tabelião, na Junta Comercial e publicada no Diário Oficial de São Paulo, n.º 234, nas páginas 31 e 32.
Wolf Klabin morreu, em março de 1957, e teve seu nome perpetuado no Colégio Estadual Wolf Klabin, da Cidade Nova. Os Horácios, Klabin e Lafer são nomes de avenida na mesma cidade (Na foto, o Horácio Lafer quando era ministro das relações exteriores).
 |
| (da esquerda) Jacob Klabin Lafer, Wolf Klabin, Nessel Klabin Lafer, Rose Hass Klabin e Horácio Lafer. |
Horácio Lafer nasceu, em São Paulo, em 3 de maio de 1900, e morreu em Paris, em 29 de junho de 1965. Diplomata, político e empresário durante o governo Washington Luís foi o representante do Brasil na Liga das Nações, e em 1934, foi eleito deputado federal.
Em 1951, durante o último governo de Getúlio Vargas, foi ministro da Fazenda e já em 1959, no governo de Juscelino Kubitschek, foi ministro das Relações Exteriores.
É tio de Celso Lafer. Ao lado de seus primos, os Klabin, foi diretor e co-fundador da Klabin Papel e Celulose.
A primeira diretoria foi composta por Salomon Klabin, presidente; Hessel Klabin, vice-presidente; e Jacob Klabin Lafer, secretário. O Conselho fiscal foi composto por Harry Levine, Lazar Kadischewitz, Abraão Jacob Lafer e os suplentes, Francisco Taranto, Augusto Rodrigues da Silva e Horácio Gordon.
Em 1937, aparece um novo nome na diretoria da Klabin do Paraná. Era o jovem Samuel Klabin, o mesmo que havia visitado Monte Alegre em 1933. Seu cargo: tesoureiro.
Em 1940, ele parte para os Estados Unidos junto com o técnico Ernest Froelish. Foram encomendar projetos e comprar máquinas destinadas ao grande empreendimento daquele família chegada no Brasil no final do século 19, a Fábrica de Papel de Monte Alegre do Tibagi.
Em 1963, famílias inteiras foram desalojadas das áreas de reflorestamento
devido ao grande incêndio que quase destruiu por completo o empreendimento.
Em 9 de setembro de 1941, uma ata de assembleia da diretoria, relata dados do empreendimento nos sertões do Paraná. Com o capital inicial quadruplicado, a denominação da empresa passa a ser, “Indústrias Klabin do Paraná de Celulose S.A. – IKPC".
Tem agora novos sócios e a nova diretoria passa a ser composta por: presidente, Solomon Klabin, 1º. Vice-presidente, Olavo Egídio de Souza Aranha, 2º vice-presidente, Hessel Klabin, 3º vice-presidente, Wolf Klabin, diretor-tesoureiro Jacob Klabin Lafer, diretor-secretário, Samuel Klabin.
Wolf Klabin e Getúlio Vargas,
no aeroporto de Monte Aegre, em 1954
O nome, na diretoria, de origem portuguesa, Olavo Egídio de Sousa Aranha era um campineiro, político, advogado, fazendeiro e banqueiro. Formado na Faculdade de Direito do Recife, foi vereador em São Paulo, deputado estadual, deputado federal, Secretário de Fazenda do Estado de São Paulo e Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo.
Como banqueiro foi diretor do Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo e membro da diretoria das Indústrias Klabin.
O outro Souza Aranha, Osvaldo Euclides de Souza Aranha, embora não tivesse parentesco com o vice-presidente Olavo Egídio, foi muito ligado aos Klabin e Lafer, por suas relações no governo Getúlio Vargas. Osvaldo que ocupou vários ministérios nos quinze anos da era Vargas foi também ministro das relações exteriores do Brasil.
Getúlio Vargas em filme da época visita Monte Alegre do Tibagi
Na Conferência do Rio, em janeiro do 1942, presidida por Osvaldo Aranha, o Brasil, e todos os países americanos decidiram romper as relações com os países do Eixo, menos Argentina e Chile, que o fariam posteriormente. A decisão foi uma vitórias das convicções pan-americanas de Aranha.
Em 1944, Aranha se demite do cargo de chanceler, após ser enfraquecido dentro do governo e pelo fechamento da Sociedade dos Amigos da América, do qual era vice-presidente. Para muitos observadores da época, Aranha era o candidato natural nas eleições de 1945, mas a parca base política e a fidelidade a Vargas o impediram de disputar as eleições.
Voltou a cena política em 1947, como chefe da delegação brasileira na recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU). Presidiu a II Assembléia Geral da ONU, que votou pela partilha da Palestina, fato que rendeu a Aranha eternas gratidões dos judeus e sionistas por sua atuação.
Devido a sua presidência naquele momento é que o Brasil, todos os anos abre os trabalhos anuais da organização mundial, geralmente com uma palestra do presidente da República Federativa do Brasil.
A fábrica nas margens do Tibagi
Panorama da Fábrica após a última ampliação
A fábrica, apesar da segunda guerra mundial começou a ser erguida nas margens do Rio Tibagi, na antiga colina chamada de Mortandade, mas logo em seguida, denominada Harmonia, pois aquele empreendimento de vulto não poderia estar assentado numa terra com um nome de triste memória.
Para que as obras não se detivessem, os Klabin contraíram empréstimo do Banco do Brasil. Em razão disto, o presidente Getúlio Vargas ordenou que a construção da fábrica e a criação da área de reflorestamento fosse administrada por um homem de sua confiança. Assim o engenheiro Luiz Augusto da Silva Viera, do Ministério da Agricultura e famoso no serviço público foi morar, em Monte Alegre para supervisionar as obras na construção da Usina hidroelétrica de Mauá, a represa de água de Harmonia e a organização da vida comunitária.
Bonde aéreo inaugurado, em 1959, sobre o rio Tibagi
A legião estrangeira
Veio gente de todo lugar. Dos municípios vizinhos, aos técnicos fugidos da segunda guerra mundial.
Reuniu-se naquele sertão, pessoas tão diferentes e tão iguais como suíço J.B. Boesh, o engenheiro polaco Ignácio Sporn, o finlandês Irjo Virta, o português Artur Carvalho, o austríaco Karl Zappert, o alemão Albert Ehlert, o polaco Leon Sisla, o austríaco Franz Riederer, os húngaros Geza Vayda e Bella Thuroniy, o sueco Leo Wikstroem, o finlandês Irjo Salo, o polaco Jan Borkoski, o turco Dara Sekban, o belga Cláudio Lobl, o iugoslavo Peter Lemr, o austríaco Alfred Leon, o polaco Franz Kraczberg (famoso mundialmente por suas esculturas de árvores retorcidas), as irmãs polacas Leokadja e Toksia Zaremska, o alemão Johan Rodelheimer, Wilem Willer, o alemão Johnny Schwartz, o austríaco Max Staudacher, os tchecos Vladzyslav Rys, Overbeck, Jiri Aron, Stanislav Jesek; o ucraniano Wlodomir Galat, o russo Isaak Kissim e os engenheiros florestais polacos comandados por Zygmunt Wielicka como Stanislaw Kociński, Maurice Golebiowski, Czuprowski, Służanowski, Sładkoski, Kaszkurewicz, Rodolf Kokot e Wiska.
A Rodovia do Papel substituiu as
antigas estradas de macadame da Fazenda
Um outro Klabin, que marcaria seu nome para sempre naquelas terras foi Horácio Klabin, fundador do jornal "O Tibagi" e da Rádio Sociedade Monte Alegre. Entusiasta do esporte, fez do CAMA - Clube Atlético Monte Alegre, uma das maiores equipes de futebol que, o Paraná viu jogar. Em sua origem o clube se chamava Klabin Esporte Clube.
Com o desenvolvimento da indústria e com a proposta de divulgar o nome de Monte Alegre, foi então, que em 1° de maio de 1946, o CAMA surgia para no futuro obter uma das mais importantes conquistas de sua história. Mesmo já fundada, a equipe continuou utilizando o nome de Klabin EC por algum tempo.
O grande Coritiba FootBall Club da capital, viu sua sequência de títulos ser quebrada com o aparecimento daquela esquadra chamada de "pantera negra", na década de 50. E foram duas vezes, uma em 1955, com o título da primeira equipe do interior do Estado, e em 1958, quando o Atlético Paranaense foi campeão com a maioria dos jogadores do CAMA de 55, além do técnico Motorzinho e do artilheiro Taíco.
Horácio pessoalmente trouxe para o sertão paranaense jogadores do Corinthians, do Flamengo, como Bolivar, Pequeno, Taíco e outros. O estádio de Harmonia recebeu a denominação de “Estádio Dr. Horácio Klabin”, quando foi inaugurado em 10 de abril de 1949, numa partida entre o Clube Atlético Paranaense e o Corinthians Paulista, a partida encerrou empatada em 3 a 3.
A campanha vitoriosa de 1955, com 28 partidas, teve o CAMA como vencedor em 18 jogos, empatado 4 e sofrido apenas 6 derrotas. O técnico Rui Santos, conhecido por “Motorzinho”, montou com a ajuda de Horácio Klabin “uma máquina de jogar futebol”.
Equipe do CAMA- Clube Atlético Monte Alegre de 1949
O CAMA foi o vencedor dos dois primeiros turnos e decidiu com o Clube Atlético Ferroviário, vencedor do terceiro turno, numa melhor de três.
O primeiro duelo aconteceu no Estádio Durival de Brito, em 08/04/1956, jogo que terminou em 2 a 2. O segundo confronto foi, em casa, no dia 15/04/1956, onde o Pantera Negra suplantou o adversário inapelavelmente por 3 a 1.
A terceira e decisiva partida aconteceu, no dia 22/04/1956, no estádio Joaquim Américo, onde o CAMA venceu pelo placar de 1 a 0, gol de Nelson.
A artilharia pesada do ano da conquista teve César Frízio e Ocimar, que anotaram cada um, 15 gols; Taíco 14; Nelson 10; Nestor 7; Isaac e Torres 4; Aloísio 2 e Rubens, Juths e César Veiga, cada um, assinalou 1 gol.
A equipe campeã, a primeira do interior do Estado era formada pelos seguintes jogadores: Bolívar, Aurélio, Juths, Pequeno, Juninho, Augusto, Isaac, César veiga, Nestor, César Frízio, Taíco, Ocimar, Nelson, Orlando, Aloísio, Torres, Rubens, Osvaldo, Lúcio e Amaro.